Chás Andorinha | Dar ao chá a atenção que ele merece
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Dar ao chá a atenção que ele merece

Como certamente já reparou, em Portugal os hotéis de luxo e casas gourmet têm proliferado nos últimos tempos. É muito bom ver esta oportunidade do turismo ser aproveitada para fazer renascer casas antigas que de outra forma deslizavam para o declínio. No entanto, se o luxo devia ser sinónimo de singularidade, muitos destes estabelecimentos são extremamente parecidos entre si, estão padronizados e, em vez de sobressaírem, parecem estar nivelados pela bitola mínima para chegar à 5ª estrela ou a um suposto estatuto gourmet. Reconheço que nalgumas excepções se destacam, e alguns antigos hotéis e restaurantes mantêm o charme de outrora! Mas se nos cingirmos à questão do chá e de como ele é tratado… torna-se ainda mais difícil encontrar um sítio que o apresente como deve ser. Num curto espaço de tempo, tive 3 experiências menos boas e que passo a contar.

Primeiro, fui a um antigo hotel de 5 estrelas que é um ex-libris de Lisboa, lindíssimo, bem recuperado e no centro histórico da cidade. Não vou dar mais detalhes para não desvendar o seu nome. Perguntei que chás tinha e o maître respondeu um pouco enfadado que tinha “os chás do costume: preto, tília, camomila, menta…” Nesse momento, olhei para a mesa do lado e vi que os bules vinham com saquetas penduradas. Não expliquei que daqueles só o preto era chá e os outros eram tisanas, acabando por pedir apenas um café. Por mais bonito que seja o hotel, parece-me excessivo pagar 4 euros por uma saqueta de supermercado com água quente.

Situação parecida ocorreu num espaço que se anunciava como “gourmet” onde estive esta semana a lanchar. A carta de chás veio em cartão branco plastificado, com as pontas já dobradas e encardidas. A ementa estava organizada de forma bem-intencionada mas cheia de confusões:

Por onde começar? Numa nota mais positiva, é bom terem distinguido o chá de outras infusões. E também teria sido interessante separar os chás puros dos aromatizados, como tentaram. No entanto, em vez de “chá puro” puseram “chá preto”, sendo que três dos aromatizados são pretos também. Depois, um dos pretos que enumeram fora dos aromatizados é, na realidade, aromatizado – o Earl Grey é um chá preto com bergamota. E por fim, nem o chá verde nem o chá branco são aromatizados, ambos são chás puros. Os aromas diferentes do chá verde e do chá branco não se devem a aromatizações, mas a formas diferentes de processamento das folhas. Por fim, o preço era um pouco mais modesto (1,70 EUR), mas ainda assim desajustado para uma saqueta que lhes custou 5 cêntimos e ao qual o serviço pouco valor acrescentou.

E ainda noutro dia, passei noutro hotel de 5 estrelas, este mais recente, lá para os lados de Belém. Não só não sabiam que chás tinham como o serviço foi demorado. No entanto, vi na carta que tinham bons chás, de uma marca estrangeira que aprecio (embora não trocasse nenhum dos Chás Andorinha por qualquer daqueles). Conheço bem esses chás e pedi um de que costumo gostar, só que não me soube nada bem: foi preparado com água da torneira (sentia-se o travo dos canos) e a temperatura não era a indicada. Como pode um sítio destes, tão turístico e ali tão perto das praias por onde passou tanto chá nos tempos áureos da nossa História, mostrar este desleixo para com a segunda bebida mais consumida no mundo? Na conta vinham 5 euros por um bom chá de folhas soltas, estragado pela má qualidade da água. O preço, o mais caro entre os atrás mencionados, teria sido o mais fácil de pagar se o chá tivesse sido bem preparado e bem servido. Se lá voltar, fico-me por um copo de vinho.

O chá é um produto nobre que merece um tratamento cuidado. Mas acima de tudo, merecem os apreciadores de chá que estes hotéis e casas de lanche pensem neles como se disso dependessem as suas estrelas e estatuto gourmet… e ainda há muito por fazer nesse sentido!

Para além de vendermos as latas com os Chás Andorinha que seleccionamos junto dos produtores na China e no Japão, damos também workshops e prestamos consultoria a quem nos tem procurado, com todo o gosto. Se quiser, escreva-nos para geral@chasandorinha.pt